Política econômica!
Política econômica!
A Espanha é considerada, hoje, um típico caso de país pobre que enriqueceu. De país de emigração, se tornou um de imigração, absorvendo grande quantidade de trabalhadores do norte da África e da América Latina. De uma nação que parecia viver exclusivamente das glórias do passado a uma com confiança no futuro. E, finalmente, um país cuja renda média não passava de uma fração da européia e que agora consegue, artifícios contábeis à parte, se aproximar desta.
Uma rápida análise da história econômica espanhola e do próprio regime de Franco são suficientes para demonstrar como a base econômica de onde partiu este “milagre espanhol” foi bem mais substancial do que parece e que o contexto regional e internacional também são fundamentais para explicá-lo.
È importante perceber, de fato, como o regime de Francisco Franco não foi uniforme nos quase quarenta anos em que esteve no poder. Entre 1939 e 1945, ele era um regime de extrema direita com base essencialmente conservadora, mas que se aproximava do fascismo em alguns pontos. A partir do final da Segunda Guerra, contudo, o caráter conservador do franquismo se acentuou, com forte presença da Igreja e das Forças Armadas no seu seio e, a partir dos anos 50, uma preocupação maior com o desenvolvimento nacional.
Essas transformações se refletem na política econômica. Até 1950, o regime franquista procurou construir um sistema autárquico, auto-suficiente, seguindo o modelo fascista e a realidade da economia européia de então. Os resultados foram desastrosos, com a atividade econômica não tendo retornado, ainda em 1950, aos valores de 1935.
Nos anos 50, a situação melhorou, mas foi apenas a partir de 1959 que a economia espanhola realmente deslanchou. Entre idas e vindas, avanços e retrocessos, a economia da Espanha cresceu bastante nas décadas de 50, 60 e 70, mudando o perfil do país tanto na matriz econômica (de agrícola para industrial e de serviços) como na social, com queda do analfabetismo, melhora dos níveis de vida, etc. Em termos políticos e morais, a Espanha continuava na rabeira da Europa, mas, na economia, a situação melhorou bastante.
Há uma certa controvérsia sobre a maneira como o franquismo conseguiu estes resultados. Para alguns economistas, a decisão de abrir a economia e de controlar o gasto público a partir dos anos 50 (e, especialmente, a partir de 1959) teria permitido o fortalecimento da moeda, o equilíbrio da balança de pagamentos e o controle da inflação. Com a estabilidade econômica, a iniciativa privada pôde trabalhar e o resultado foi o crescimento.
Para outros, nem a estabilidade nem os planos de desenvolvimento industrial lançados pelo regime teriam sido tão importantes assim. A Espanha só teria crescido graças ao desenvolvimento dos seus vizinhos, o que se refletiu numa grande abundância de capitais e numa explosão do turismo, que mudou completamente o panorama econômico espanhol.
